quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Fundamento

Escuta.
Antes de tudo,
Escuta.
Sente.
Troca de cadeira.
Calce os sapatos,
Entenda os calos.
Porque há muito calado,
E você não tem o direito de julgá-lo.
Não é direito seu julgar.
É seu dever escutar.
Escuta.
Sem prejulgamentos.
Tente se afastar
Das suas conclusões,
Das suas escolhas,
Das suas crenças.
Elas são só suas.
Escuta.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Libélula

No dia que eu sentir de partir,
estarei grata - eu sei.
Tudo o que me construí,
Sorrindo, abraçarei.

Dos dias que sim eu quis fugir,
Acredito que não lembrarei.
Porque, no peito aqui,
De saudades já chorei.

Mas eu terei que me despedir.
Outra placa assim seguirei.
Cada passo que vivi
Morará no que guardei.

Meu lugar já foi aí.
Fique bem.
Ficarei no aqui,
Em mim, sempre em mim.

Meu lugar é em mim.


Ao meu amor desde 1987,
àqueles que me deram a luz,
o solo,
ao meu lugar.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Géiser

Nem parece, mas nasci com o peito fervente. Demorei muito pra entender isso.

Alguns outros achavam que eu era água fria e já até me convenci disso, porque tudo morava no peito. De vez em quando, esquentava o rosto ou confundia a barriga. Às vezes, visitava os pés. Mais tarde, mudava pra um pedaço de papel escondido. E agarrava na garganta por eu achar o meu fervor sem valor.

Confesso que ainda volta a cabeça, pesando ou fervendo, porém se faz palavra, pelos dedos ou pela boca. E, finalmente, sei que preciso dizer.

domingo, 29 de outubro de 2017

Jardinagem

Sofri quando percebi que parte do que tinha nutrido tinha que ir embora.
Mas a vida novamente me ensina.
Sentir e chorar podas é preciso. Lembrar que nem sempre será perda e dor, também.

Tudo se renova. Às vezes, se expande, dá um passo adiante. E seguimos bem.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Sobre a cura

Caminho longo e sem fim. Talvez seja assim para não passarmos do ponto. E nunca é simples. É maior do que qualquer pragmatismo e não se fecha em um torrão de substâncias. Guarda tantos sentidos! Procura muitos significados. Desata nós. Muda o corpo, o pensar, o sentir, o existir. Empurra. E continua. Sempre continua, mesmo se não houver doença.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Das delicadezas

Uma árvore que floresce,
Uma estrutura que enferruja,
Uma casa que envelhece,
Um pasto que revive.

Tudo ao redor nos ensina,
Mas nos cegamos
Querendo tudo,
Querendo agora.

A vida está a nos ensinar,
A dizer do tempo,
Da paciência,
E das mudanças.

É preciso olhar pela janela.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

(03/07/2017)

Tenho me esvaziado pra sentir-me completa novamente. Tenho deixado espaço para sentir desejo. Tenho vagado: deixado espaço pra mim em mim e permitido que caminhe sem ter inteiro controle do destino.

domingo, 2 de julho de 2017

Vela II

Após muitos ventos e muita água, quando vem o escuro, a gente aproveita pra apreciar a luz que normalmente fica escondida.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Incoerência?

Da dor, eu faço poesia,
Porque pareço viver de calmaria,
Mas aqui em mim cabe uma fogueira
Que arde, brilha, queima, teima.

Tenho unhas pintadas de rosa.
Tenho unhas pintadas de preto.
Tenho contradições tão coloridas
Que insistem em rasgar o meu peito.

Há o colo que alenta e acolhe,
E há desejo de romper o priori.
Convivem o que dizem ser opostos,
Fazendo, sendo em mim preciosos.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Sobre sentir.

Sinto muito.
Sim, sinto muito.
E me vale muito sentir.
E me dói muito sentir.
Sinto muito e não há como não fazê-lo.
Às vezes, é benção.
Outras, tormento.
E vou sentindo.
Em algumas situações, preferia não sentir.
Em muitas outras, sou grata por isso.
E sinto muito.
Não só o que é ruim.
Sinto o azul do céu.
Sinto a melodia nos meus pés.
Sinto o amor em um abraço.
E suspiro assim.
Sorrio. Sou. E sinto.

domingo, 4 de junho de 2017

Orgânico

Por que a vida resolveu podar quando eu queria florir?

Eu questionei.
A resposta era simples.

Como produzir novas flores e novos frutos se não houver poda?

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Ondas grandes

Mar revolto que me ensina a nadar,
Ondas que me tiram do lugar.
Parece que me afogo,
Parece que morro,
que me falta ar,
Mas volto.
De novo,
Afundo.
Volto.
Descubro força onde não havia.
Ou havia?
Descubro habilidades onde podia.
Volto. Fortaleço. Nado. Faço.
E, quando vier calmaria,
Também saberei nadar.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Não é tarde...

Permita que a serenidade chegue. Às vezes, ela está logo ali: no barulho da chuva; no olho no horizonte; no toque do vento no seu rosto. E ela está sempre em você, na sua respiração, na capacidade de desacelerar pensamentos, no poder de focar cada tarefa em seu tempo e desconstruir monstros que nascem do seu medo.

sábado, 28 de janeiro de 2017

Vontade

Que chega,
Que move,
Que falta,
Que dá
E passa.
Que faz recomeçar,
Que faz ficar.
Cresce,
Chega ao topo,
Cai.
Que permite o prazer,
Que se torna frustração na poda...
E muda.
Que some.
Que vive desde criança.
Que existe sem ser entendida,
Que sabemos o porquê.
É vício,
Sonho,
Fome,
Desejo,
Planos,
E Luz.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Despedir-se

O caminho sempre é diverso. Alguns são quase infindáveis; outros, chegam logo ao seu fim. E, quando chega essa hora, quando chega a hora de partir, invade nossa alma uma multidão de sentimentos, de vivências e de pensamentos. A alegria nos toma pelo braço e faz um sorriso se desenhar no canto da boca ao lembrarmos de risadas, abraços e imprevistos, e o olho chega a ser quase mar quando sabemos que não reviveremos o cotidiano que nos encheu de sentido. Daí, a contradição nos encontra e, por vezes, faz transbordar... Tudo nos é novamente, tudo se revira, refaz. E seguimos.