terça-feira, 10 de outubro de 2017

Sobre a cura

Caminho longo e sem fim. Talvez seja assim para não passarmos do ponto. E nunca é simples. É maior do que qualquer pragmatismo e não se fecha em um torrão de substâncias. Guarda tantos sentidos! Procura muitos significados. Desata nós. Muda o corpo, o pensar, o sentir, o existir. Empurra. E continua. Sempre continua, mesmo se não houver doença.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Das delicadezas

Uma árvore que floresce,
Uma estrutura que enferruja,
Uma casa que envelhece,
Um pasto que revive.

Tudo ao redor nos ensina,
Mas nos cegamos
Querendo tudo,
Querendo agora.

A vida está a nos ensinar,
A dizer do tempo,
Da paciência,
E das mudanças.

É preciso olhar pela janela.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

(03/07/2017)

Tenho me esvaziado pra sentir-me completa novamente. Tenho deixado espaço para sentir desejo. Tenho vagado: deixado espaço pra mim em mim e permitido que caminhe sem ter inteiro controle do destino.

domingo, 2 de julho de 2017

Vela II

Após muitos ventos e muita água, quando vem o escuro, a gente aproveita pra apreciar a luz que normalmente fica escondida.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Incoerência?

Da dor, eu faço poesia,
Porque pareço viver de calmaria,
Mas aqui em mim cabe uma fogueira
Que arde, brilha, queima, teima.

Tenho unhas pintadas de rosa.
Tenho unhas pintadas de preto.
Tenho contradições tão coloridas
Que insistem em rasgar o meu peito.

Há o colo que alenta e acolhe,
E há desejo de romper o priori.
Convivem o que dizem ser opostos,
Fazendo, sendo em mim preciosos.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Sobre sentir.

Sinto muito.
Sim, sinto muito.
E me vale muito sentir.
E me dói muito sentir.
Sinto muito e não há como não fazê-lo.
Às vezes, é benção.
Outras, tormento.
E vou sentindo.
Em algumas situações, preferia não sentir.
Em muitas outras, sou grata por isso.
E sinto muito.
Não só o que é ruim.
Sinto o azul do céu.
Sinto a melodia nos meus pés.
Sinto o amor em um abraço.
E suspiro assim.
Sorrio. Sou. E sinto.

domingo, 4 de junho de 2017

Orgânico

Por que a vida resolveu podar quando eu queria florir?

Eu questionei.
A resposta era simples.

Como produzir novas flores e novos frutos se não houver poda?

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Ondas grandes

Mar revolto que me ensina a nadar,
Ondas que me tiram do lugar.
Parece que me afogo,
Parece que morro,
que me falta ar,
Mas volto.
De novo,
Afundo.
Volto.
Descubro força onde não havia.
Ou havia?
Descubro habilidades onde podia.
Volto. Fortaleço. Nado. Faço.
E, quando vier calmaria,
Também saberei nadar.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Não é tarde...

Permita que a serenidade chegue. Às vezes, ela está logo ali: no barulho da chuva; no olho no horizonte; no toque do vento no seu rosto. E ela está sempre em você, na sua respiração, na capacidade de desacelerar pensamentos, no poder de focar cada tarefa em seu tempo e desconstruir monstros que nascem do seu medo.

sábado, 28 de janeiro de 2017

Vontade

Que chega,
Que move,
Que falta,
Que dá
E passa.
Que faz recomeçar,
Que faz ficar.
Cresce,
Chega ao topo,
Cai.
Que permite o prazer,
Que se torna frustração na poda...
E muda.
Que some.
Que vive desde criança.
Que existe sem ser entendida,
Que sabemos o porquê.
É vício,
Sonho,
Fome,
Desejo,
Planos,
E Luz.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Despedir-se

O caminho sempre é diverso. Alguns são quase infindáveis; outros, chegam logo ao seu fim. E, quando chega essa hora, quando chega a hora de partir, invade nossa alma uma multidão de sentimentos, de vivências e de pensamentos. A alegria nos toma pelo braço e faz um sorriso se desenhar no canto da boca ao lembrarmos de risadas, abraços e imprevistos, e o olho chega a ser quase mar quando sabemos que não reviveremos o cotidiano que nos encheu de sentido. Daí, a contradição nos encontra e, por vezes, faz transbordar... Tudo nos é novamente, tudo se revira, refaz. E seguimos.