quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Menina,
Já fez sua parte. Você pode ir.
Apareça de vez em quando!

Algumas autodicas

- Admire as borboletas, mesmo quando ainda são lagartas.
- Alegre-se pelo casulo rompido.
- Quando chegar onde planejou, descobrirá o que deseja.
- Viva as mortes. Chore. Faça despedidas. Aceite e siga.
- Quando uma relação chegar ao fim do seu ciclo, dê adeus.
- Alguns amigos se tornarão (des)conhecidos, sem haver brigas ou despedidas. Aceite.
- Recomece. Mas também sossegue.
- Viva o estranhamento como descoberta e descubra sua própria estranheza.
- Conheça o diferente.
- Viaje, viaje e viaje! E, quando puder, de carro.
- Quando andar de ônibus, aproveite e viaje para dentro de si.
- Desfaça as malas e veja o que mudou.
- Mude crenças.
- Arrisque.
- Você não poderá mudar o mundo todo, mas seja instrumento da mudança dos mundos que lhe cabem.
- Não se culpe tanto quando não há como controlar a maioria das variáveis.
- Repense sua culpa.
- Não se desculpe quando não há culpa.
- Seja confidente de si. Esconda menos segredos o possível de você mesma.
- Acolha (ao outro e a si).
- Abrace.
- Durma em contato com quem você ama.
- Permita-se a um colo.
- Declare-se.
- Deixe seu felling agir.
- Chore assistindo filmes se assim despertarem.
- Reveja "PS.: Eu te amo". Nunca haverá açúcar suficiente, tampouco o sal das lágrimas.
- Leia o seu corpo: entenda a sinusite, a enxaqueca, o seu sistema digestório e sua pele.
- Leia os livros que te indicarem de forma particular.
- Dance!
- Vá a shows, cante e pule.
- Não se esqueça de ESCUTAR Engenheiros do Hawaii.
- Quando um verso te acompanhar, tente entender a canção.
- Escreva. Leia-se. Releia-se.
- Aproveite cores, melodias e letras, porque podem te curar.
- Reconheça a sua história.
- Conheça seus vizinhos.
- Entenda os seus medos (não tenha medo deles).
- Não tema o silêncio.
- Esteja atenta ao seu anseio por ocupar espaços em branco.
- Não tenha medo do barulho do mar.
- Não planeje um dia ou dias antes de ir à praia. Se estiver um sol lindão, vá.
- Mantenha a casa longe do mofo. Deixe o sol e o vento chegarem.
- Dê boas vindas às joaninhas.
- Não permita que as dificuldades contaminem seu olhar para as possibilidades.
- Às vezes, aceite. Outras, não aceite.
- Fale quando precisar falar e não esteja despida de argumentos.
- Seja assertiva.
- Abstraia. Mas também resista. Às vezes, a resistência é silêncio.
- Tente falar de maneira simples.
- Seja simples.
- Você não precisa viver em tendências, mas não é proibida de admirar e experimentar a estética da moda.
- Você não é obrigada a pintar suas unhas toda a semana. Quando fizer, faça você mesma e porque está afim. Aproveite e explore as cores.
- Perceba a atividade física pra além das repetições, padrões ou modismos.
- Não faça dietas para emagrecer. Coma o que gostar e o que te faz bem. Quanto mais integral melhor. Quanto menos processos também. Coma o chão, a natureza, o que você quer ser.
- Faça piqueniques.
- Viva em comunidade.
- Ouça as crianças.
- Quando falar com as crianças, abaixe. Lembre-se das tirinhas do Armandinho e do quanto desejou estar dentro delas e não na parte superior.
- Tome banho de mar e cachoeira sem medo da frieza da água ou de molhar os cabelos.
- Faça poucas, fundamentais e verdadeiras listas. Principalmente, faça a do supermercado (e não vá fazer compras com fome).
- Não use relógio de pulso durante o fim de semana.
- Quando estiver cansada, durma. Quando estiver com raiva, sonhe. E, quando acordar, recomece.
- Nem pense em trabalhar depois das 22h.
- Não trabalhe por dinheiro somente.
- Sobre dinheiro, saiba gastar. Nem tanto, nem tão pouco. Tenha reservas de valores e de desejos, mas não reserve tanto.
- Gaste mais dinheiro com o que você pode viver do que com que pode ter.
- Se não usa mais, não é mais seu. Doe.

domingo, 22 de novembro de 2015

(sem título)

Talvez eu tenha aprendido a permitir o silêncio. Diante do caos de estímulos, solicitações e sonhos, é difícil senti-lo. Mas parece que ele começa a fazer as pazes comigo; ou melhor, eu com ele. Consigo aceitá-lo nos entremeios, tê-lo como companheiro enquanto tenho uma tarefa e até consigo ampliá-lo quando preciso. Talvez eu tivesse medo dele ou da imperfeição que ele permite que ouçamos... Talvez não quisesse os vazios. Talvez quisesse viver certeza e preenchimento em tudo. Talvez houvesse ânsia por ocupar.

Que tolice!

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Febril

A pele que queima é a mesma que arrepia; a mão que sufoca é a que liberta. Poço de ilusões e soluções; veneno e panacéia; meus monstros e o meu melhor. E, em cara e coroa, escutar me desposa e escrever me traz gozo.

Milhares de mares

No mar, nada é estável e tudo é eterno.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

VERMELHO

Sangrar
Pelo filho que não tive,
Que desejei,
Ou não - e desejaram por mim.

Sangrar

Por um corpo corrompido,
Perversamente desejado,
Tomado.

Sangrar,

Pois não caibo,
Não me vendo,
Ou, então, compro.

Sangrar

Por cada poro,
Cada pelo,
Cada corte.

Sangrar

Por ser santa,
Puta
Ou bruxa.

Sangrar

Por uma semana,
Todo mês,
Toda a vida.

Sangrar...

Mas lutar,
Minha irmã.

domingo, 27 de setembro de 2015

Casulo

Partiu a casca.
Partiu, bateu asas.
Via seu movimento ali dentro;
agora, borboleteou
e deixou a lembrança na minha janela.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Meu menino

Fadado a ser o segundo, sentiu-se o último. E, quando descobriu que não precisava ser o primeiro, achou o seu lugar.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Lar - nem sempre o mesmo.

Perde aquele que amanhece sempre com o mesmo olhar, que não olha pela janela ou não se permite encontrar nova paisagem. Perde aquele que tende a ver o horizonte estático e não reconhece cores novas. Perde aquele que só reclama da chuva e não admira o cinza e as formas do céu. Perde aquele que se irrita com o calor e não observa o tocar do azul com o amarelo. Perde aquele que foge do novo que nos encontra a cada manhã.

02 MUND05

Tire os chinelos e entre.
Venha me conhecer.
Beba o café que fiz do jeito que gosto,
pouco açúcar e muito pó.
Que você o estranhe,
mas tome dele.

Que eu te estranhe,
toque,
escute,
aprecie,
reconheça
o que há
(ou não)
de mim em você
e que eu me estranhe,
mude,
permita.

Pense a minha voz,
sinta os meus olhos,
leia a minha história,
veja os meus cortes,
colha as minhas maçãs.
Coma elas e digira,
transforme em energia,
faça parte do que você é.

Que sejamos dois estranhos.
Que sejamos um.
Que sejamos outro(s).

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Por Fé

Eu vim foi de lá,
onde o verde prevalece
e o sustento vem do chão.

Desde pequena,
o "fóta" a cantar eu ouvi
o hinário alemão.

Ele dizia
daquele vento e do Pai,
e de quem nos fez cristão.

Saber promovia:
que de fé é que se vive,
junto com todo irmão.

Não conhecia
algo assim na cidade
ao chegar nesse mundão.

Sim, me perdia,
mas o pertencer descobri
com ar de reinvenção.

domingo, 2 de agosto de 2015

Sobre uma manhã c'alma

O pequeno me toca. O símbolo alegra ao surpreender. Nada, silêncio, palavras humildes, voz e violão. Não me interesso por poesia de fábrica, tons em larga escala. Não é preciso muito pra me surpreender, mas é preciso alma para tocar a alma.

terça-feira, 14 de julho de 2015

MADRUGADA

Ah, esta minha alma velha e boba que já aprendeu a não sangrar à toa, mas que insiste em sofrer se o punhal chega a sua posse... Aquela que escolheu romper a pele, traçar uma borboleta e escondê-la por trás de mechas ainda prefere o descanso emocional da solidão, apesar de não dispensar a mesa posta, o choro e o riso. Alma capricorniana de um calor com cara de frieza, de luz escondida em cavernas, que aprendeu a ser assim, aceitou ser assim, segue a vida assim: feliz mesmo sem cores barulhentas.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

( )

O silêncio, a escuta, a apreciação, a reflexão antes da fala, do grito; senão, a gente, mesmo falando, definitivamente se cala.

terça-feira, 30 de junho de 2015

De malas desfeitas

Você me disse o melhor que eu poderia ouvir: viva! Contou-me que seus últimos anos se passaram voando, quando era você que queria bater asas. Então, ordenou: voe. Aconselhou aproveitar essa possibilidade para conhecer o distante e o diferente. Analisou, assim, o quanto perdemos ao nos aprisionarmos a paredes, dificuldades, pessoas, lugares e estigmas. Você sorriu e aconchegou minha dúvida sem nem mesmo eu saber que essa existia. Você se incluiu em mim, agradecendo por eu ter chegado até seu recanto. E, no fim, soubemos que sou sagrada para você e você, pra mim.

terça-feira, 16 de junho de 2015

Curva

Desculpe-me. Eu não trabalho com números. Pode até ser que eu tenha calculado algumas áreas e conhecido alguns polinômios, mas as variáveis não se encerram no "x" da questão. Meu objeto é subjetivo; meu tempo, relativo.

domingo, 14 de junho de 2015

Primeiro dia

Dos resquícios da menina, há algo a usar. Outros já não cabem ou eu escolhi descartar. E, sem motivo algum (ou com vários), recomeçar. No mesmo passo, no entanto, o olhar... De domingo pra segunda, por que lacrimejar? Oportunidade prum novo, sem sequer aguardar. O que será? Seja o que for. Pode até ferir a métrica ou então ser a rima mais boba. Que seja.

sábado, 16 de maio de 2015

HORA DE TEMPO!

Um trio de funções; meia dúzia de lares; dezenas de colegas; milhares de páginas para um cargo; incontáveis contas para o altar; coletivo, só e a dois: só meia década.

domingo, 10 de maio de 2015

caminho

para cada ferida antiga que arde sua alma, uma dor causada por suas mãos. vingança de rumo incerto. temor de ser vítima por todo o eterno. prisão em falsa força. poder que corrói em ondas circulares.

domingo, 22 de março de 2015

Com Destino

Quando pensávamos em florir, ouvimos os pássaros a cantar e alianças trocamos. Depois, descobrimos a delícia que é sorrir a cada amanhecer de verão que chegava até a nossa janela. Hoje, vemos as ondas nos envolvendo, as folhas em renascimento - mais um espetacular ciclo! 

E, como somos um só - eu, você e o mundo, que nossa vida tenha a beleza das flores, a leveza do voar, o calor e a luz do sol, a força do mar e a renovação das árvores.

sexta-feira, 13 de março de 2015

Confissão

"Sei o que sou mas quero mais 
Das certezas que estão 
No olhar para o céu, 
Na fogueira de São João."


Não prometo pra mim nada a não ser viver e me conhecer. A cada dia permito que a arte fale mais comigo, que a pele revele minhas emoções e que meu coração flua ao outro. Parece que poesia, música, fotografia, desenho, dança me encontram a cada passo pra dizer quem sou e pra questionar quem sou, pra me fazer ser mais do que minhas certezas e olhar a imensidão desta vida! Não tenho muitas habilidades pras artes, mas (expressão que adoro) quero que palavras, acordes, cores e movimentos que me toquem, inundem e tirem meus pés do chão ainda mais.

PS: Confesso que não descobri quem compôs a canção "Até aqui" citada inicialmente. Essa é interpretada pelos músicos Tiago Iorc e Duca Leindecker.