quinta-feira, 14 de junho de 2018

Diáspora

Vontade de jogar tudo fora; abrir caminho. Fazer caminhar o que já não é meu, deixar ir o que foi pesado, jogar fora o que não tem mais função.

Prescrição

Massagear a cicatriz até que pareça mais amena, que não repuxe tanto, e que não limite antigos e novos movimentos.

Ainda seis de abril

Tem dias que eu só queria deitar minha cabeça no seu colo e chorar até o peito secar. E, assim, poder recomeçar. Mas ainda é Lua Cheia, meus sentidos estão aguçados e a casa bagunçada. Ainda tenho que ofertar meu colo, meus braços, meu ouvido e minhas mãos a outrem.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Sonhadora

Lembro dos passarinhos na gaiola e da prisão deles me doer. Questionava que eles eram mais bonitos voando. Não entendia quando os cortavam as asas só para que eles ficassem bem próximos o tempo todo. Por que estimar assim? Por que cativar assim? E eles seguiam a se enfileirar na parede. Passeios faziam ainda presos. E ninguém questionava, porque uma anilha justificava sua prisão. Como pode alguém definir que vida se pode prender? Mas os meninos todos da rua conversam sobre e competiam a beleza e o cantar dos seus bichinhos. E eles nem nome tinham! Ficavam esquecidos na maior parte do tempo. Só eram lembrados no comer, no beber e no momento de serem exibidos. Só ganhavam destaque se fugiam. Aí, a tática era atraí-los de volta. No açalpão, repentina e assustadoramente, prendê-los novamente. Eles se batiam tanto, as asas nem se viam, viravam beija-flores até o cansaço chegar. Com o coração ainda bem ritmado, uma mão os apertava e eram carregados à gaiola. Parece que por gratidão a um espaço um pouco maior e esporádicos passeios, voltavam a cantar. Ou por esperança. Ou por resistência.

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Meditação

"Quando a gente fica em frente ao mar, a gente se sente melhor." 
Nando Reis

O cheiro do chá de hortelã.
O calor da bebida que abraça.
O barulho da onda contra a areia.
A dança da andorinha no ar.
O vento que gela os braços.
Sentir.
Aqui.
Agora.

domingo, 13 de maio de 2018

Calmaria

Eu
Acordei com o cheiro do mar,
Com as plantas
Que me pediam
Pra ficar lá fora.

Elas me diziam:
Já é sol!
E o mar,
Baixo como nunca esteve,
Me disse que as coisas
Tinham mudado.

Ele dizia
Que o temporal
tinha passado.

Não havia mais
Tempestade,
Enchente,
Mar revolto.

Hoje
É dia
De
Calmaria.

É dia de dizer
Pra gente mesmo
Que passou e que
"tá tudo bem".