Quero estar onde ainda não moro, estar onde os sonhos estão, estar onde os pés anseiam em chegar, estar onde as folhas do outono estão no chão. Quero ver o sol, as flores e o sol passarem de novo e de novo, porque é tão bonito olhar no espelho e ver o quanto envelheço.
Bonito também é olhar meu corpo e ver tantas marcas: anos, tesouros, passagens, euforias, pessoas, notícias, rancores, surpresas, dúvidas, sempre incertezas com suas dores e moveres, imagens, sabores, principalmente cheiros, e toques - muitos toques, olhares, "Alices", suspiros, nuvens - iguais e diferentes, canetas e lápis, cadeiras e muros, conversas, roletas, calores, medos e enfins.
(Madrugada de 04 de fevereiro de 2011)
sábado, 16 de fevereiro de 2019
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019
Vazio
E quando uma história termina?
Mesmo dura, parecia que nos preenchia.
E agora? Como lidar com isso?
No meu peito, parece que algo falta.
Não sei qual placa me guiará.
É hora de sentir o nada?
Por que ansiar logo preencher?
Talvez precise deixar que uma ponta surja.
Assim, redesenhar os passos.
Não é tão racional e imediato.
Mas intermediário.
Meio.
Vazio.
Caminho livre.
Por enquanto, sem cruzamento, bifurcação ou saída.
sábado, 22 de dezembro de 2018
Minha primeira oração
Diga o que quer de (para) mim; eu não sei. Mas eu sinto que não é mais o mesmo. Sinto tudo tão novo como livro que se abre e as páginas ainda se grudam, e que guarda em cada página - sem marcas de dedos ou dobras - uma descoberta.
Eu me sinto, de novo e de novo, no lugar onde minhas mãos ainda eram pequenas; porém, sinto de forma diferente: não tenho mais (tanto) medo das ondas ou de não alcançar o fundo com os pés, não tenho vergonha de cantar ou dançar acompanhando a música, já sei que não posso tudo mesmo podendo muito, já sei que (que bom!) não sei de tudo.
Agora, estou a dançar e a cantar embaixo das ondas. Um pouco de pavor, outro de alegria, e um tanto de esperança me enchem.
Neste momento, peço: se já chega a hora de voltar a algum ponto da superfície, aponta a direção.
Eu me sinto, de novo e de novo, no lugar onde minhas mãos ainda eram pequenas; porém, sinto de forma diferente: não tenho mais (tanto) medo das ondas ou de não alcançar o fundo com os pés, não tenho vergonha de cantar ou dançar acompanhando a música, já sei que não posso tudo mesmo podendo muito, já sei que (que bom!) não sei de tudo.
Agora, estou a dançar e a cantar embaixo das ondas. Um pouco de pavor, outro de alegria, e um tanto de esperança me enchem.
Neste momento, peço: se já chega a hora de voltar a algum ponto da superfície, aponta a direção.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2018
Tela
O céu me encanta.
De manhã, ele esquenta e se abre,
Pinta várias cores até se tornar azul.
No fim do dia, suas cores se mesclam.
Num minuto, está azul;
Noutro, amarelo;
Laranja;
Rosa;
Roxo.
O céu é uma transição linda.
Todo dia, ele se encerra,
Nos acolhe,
Nos recomeça.
De manhã, ele esquenta e se abre,
Pinta várias cores até se tornar azul.
No fim do dia, suas cores se mesclam.
Num minuto, está azul;
Noutro, amarelo;
Laranja;
Rosa;
Roxo.
O céu é uma transição linda.
Todo dia, ele se encerra,
Nos acolhe,
Nos recomeça.
domingo, 18 de novembro de 2018
Meu encontro
Perdi seu olho na multidão e me perguntei:
- Quem eu sou sem você?
Lembrei do amigo que morreu quando não achou mais a mão da amada. Para ele, havia mais nada, não havia mais mundos, mais vidas. E ela também morreu.
Assustei.
- Deus! Quem eu sou sem você?
- Quem eu sou sem você?
Lembrei do amigo que morreu quando não achou mais a mão da amada. Para ele, havia mais nada, não havia mais mundos, mais vidas. E ela também morreu.
Assustei.
- Deus! Quem eu sou sem você?
terça-feira, 9 de outubro de 2018
Foto aleatória em 09/10/18, às 22:17.
(ou sobre a serenidade)
Eu disse há quase dois anos: deixe que a serenidade chegue.
Mal sabia o furacão que viria pra nós.
E, hoje, olhar pro céu em gratidão é o automático.
Eu vinha de um fim período duro de transições do início da vida adulta e acreditava que o mundo passaria a ser sereno, e que, assim, eu conseguiria sonhar.
Mas só agora - depois do furacão, é que os sonhos habitam a nossa cabeça.
Lembro tão vivo agora o que escrevi há cerca de 8 anos:
é lindo ver a vida pintada em mim à muitas mãos e com muitas cores. aos poucos, rabiscos e riscos. afinal, que vida há sem os tais riscos e as tais cores? aos poucos aprendo ou ensino, desaprendo ou desensino, a mim ou a outros... e é tão lindo e angustiante viver: criar asas, recriar ninhos, ver o céu. e se o céu é de um tamanhão sem igual? que bom! esse é um tamanho de vida, um tanto de possibilidade!
Eu disse há quase dois anos: deixe que a serenidade chegue.
Mal sabia o furacão que viria pra nós.
E, hoje, olhar pro céu em gratidão é o automático.
Eu vinha de um fim período duro de transições do início da vida adulta e acreditava que o mundo passaria a ser sereno, e que, assim, eu conseguiria sonhar.
Mas só agora - depois do furacão, é que os sonhos habitam a nossa cabeça.
Lembro tão vivo agora o que escrevi há cerca de 8 anos:
é lindo ver a vida pintada em mim à muitas mãos e com muitas cores. aos poucos, rabiscos e riscos. afinal, que vida há sem os tais riscos e as tais cores? aos poucos aprendo ou ensino, desaprendo ou desensino, a mim ou a outros... e é tão lindo e angustiante viver: criar asas, recriar ninhos, ver o céu. e se o céu é de um tamanhão sem igual? que bom! esse é um tamanho de vida, um tanto de possibilidade!
domingo, 9 de setembro de 2018
Lua Nova
Hoje a noite parece sem luz,
Mas ela está bem ali,
Pronta pra renascer.
Vem, lua.
Renova,
Cresce.
Clareia,
Guarda-se.
Mostra sua razão:
Maré,
Mulher,
Mundo.
Tudo parece ter
O seu tempo.
Mas ela está bem ali,
Pronta pra renascer.
Vem, lua.
Renova,
Cresce.
Clareia,
Guarda-se.
Mostra sua razão:
Maré,
Mulher,
Mundo.
Tudo parece ter
O seu tempo.
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