terça-feira, 9 de outubro de 2018

Foto aleatória em 09/10/18, às 22:17.

(ou sobre a serenidade)

Eu disse há quase dois anos: deixe que a serenidade chegue.
Mal sabia o furacão que viria pra nós.
E, hoje, olhar pro céu em gratidão é o automático.

Eu vinha de um fim período duro de transições do início da vida adulta e acreditava que o mundo passaria a ser sereno, e que, assim, eu conseguiria sonhar.

Mas só agora - depois do furacão, é que os sonhos habitam a nossa cabeça.

Lembro tão vivo agora o que escrevi há cerca de 8 anos:

 é lindo ver a vida pintada em mim à muitas mãos e com muitas cores. aos poucos, rabiscos e riscos. afinal, que vida há sem os tais riscos e as tais cores? aos poucos aprendo ou ensino, desaprendo ou desensino, a mim ou a outros... e é tão lindo e angustiante viver: criar asas, recriar ninhos, ver o céu. e se o céu é de um tamanhão sem igual? que bom! esse é um tamanho de vida, um tanto de possibilidade!

domingo, 9 de setembro de 2018

Lua Nova

Hoje a noite parece sem luz,
Mas ela está bem ali,
Pronta pra renascer.
Vem, lua.

Renova,
Cresce.
Clareia,
Guarda-se.

Mostra sua razão:
Maré,
Mulher,
Mundo.

Tudo parece ter
O seu tempo.

domingo, 19 de agosto de 2018

Alma Amarela

Brilhou logo pela manhã,
Trouxe luz e calor...
Ora num suave abraço,
Ora num raio tão forte,
Tão certo.

Fez a semente brotar,
A árvore crescer.
Fez os meninos
Saírem pra brincar
E os adultos sorrirem.

Renovou-nos,
Dourou-nos,
Marcou a nossa pele,
E voltará para o céu,
Pois sempre foi dele.

Mas, Sol,
Você continuará
A brilhar
Por aqui,
Sempre conosco.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Diáspora

Vontade de jogar tudo fora; abrir caminho. Fazer caminhar o que já não é meu, deixar ir o que foi pesado, jogar fora o que não tem mais função.

Prescrição

Massagear a cicatriz até que pareça mais amena, que não repuxe tanto, e que não limite antigos e novos movimentos.

Ainda seis de abril

Tem dias que eu só queria deitar minha cabeça no seu colo e chorar até o peito secar. E, assim, poder recomeçar. Mas ainda é Lua Cheia, meus sentidos estão aguçados e a casa bagunçada. Ainda tenho que ofertar meu colo, meus braços, meu ouvido e minhas mãos a outrem.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Sonhadora

Lembro dos passarinhos na gaiola e da prisão deles me doer. Questionava que eles eram mais bonitos voando. Não entendia quando os cortavam as asas só para que eles ficassem bem próximos o tempo todo. Por que estimar assim? Por que cativar assim? E eles seguiam a se enfileirar na parede. Passeios faziam ainda presos. E ninguém questionava, porque uma anilha justificava sua prisão. Como pode alguém definir que vida se pode prender? Mas os meninos todos da rua conversam sobre e competiam a beleza e o cantar dos seus bichinhos. E eles nem nome tinham! Ficavam esquecidos na maior parte do tempo. Só eram lembrados no comer, no beber e no momento de serem exibidos. Só ganhavam destaque se fugiam. Aí, a tática era atraí-los de volta. No açalpão, repentina e assustadoramente, prendê-los novamente. Eles se batiam tanto, as asas nem se viam, viravam beija-flores até o cansaço chegar. Com o coração ainda bem ritmado, uma mão os apertava e eram carregados à gaiola. Parece que por gratidão a um espaço um pouco maior e esporádicos passeios, voltavam a cantar. Ou por esperança. Ou por resistência.