sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
Tua Canção
Adormeci com teus dedos em meu cabelo. Chegou aos sonhos um amor de bigode. Cuia na mão, afeto à pele, e uma ponte. A traves(si)a.
AQUELA
Quando o despir da carne e o despedir das defesas da alma dançam em par, os acordes se embebedam de sentidos.
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
Entre caixas
Nos últimos dias, revisitei-me. Vi letras pequenas, trêmulas, frágeis; encontrei rabiscos de modelos de roupas e hábitos; acabei por me deparar com sonhos mirabolantes; e descobri o quanto eu já gostava do lápis. Consegui ser terceira de mim. Reencontrei afetos e percebi que trajetos distintos foram cursados. Foi difícil, mas entendi em um desenho a necessidade de descobrir outra relação. Foi para o lixo o que não tem mais função. Doei aquilo que já não é mais meu. Ao fim, abri espaço para o reencontro. Encontrar o que ficou, o que não é mais, assustar-me se preciso, e reorganizar-me.
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
Outra autoria
"Eu quero família,
quero fortuna de alegria.
Quero você, os pequenos e nós.
Quero uma sombra na praia,
mergulho em água clara
e que você sempre sorria."
Presente em letra por Jonas Alberto de Oliveira Luzia
quero fortuna de alegria.
Quero você, os pequenos e nós.
Quero uma sombra na praia,
mergulho em água clara
e que você sempre sorria."
Presente em letra por Jonas Alberto de Oliveira Luzia
Do Segundo Capítulo
Ah! Como me lembro daquele dia! Quando fecho os olhos, ainda parece tudo colorido, tudo vivo.
A despedida apressada dos meus pais, o subir das escadas, a tensão. Não sabia como agir, mas sabia o que sentia.
O telefone tocou. Era ele. Palavras desorganizadas saíram de mim, e, felizmente, não acabaram com a cor.
Agora, eu estava à espera dele. Perfume e maquiagem da forma mais singela que consegui: eu não queria máscaras.
O telefone tocou novamente.
Olhei pela janela e um "é ele" saiu da minha boca.
Corri. Abri e fechei porta, portão, esperanças e sentimentos. Desci degrau por degrau num ritmo forçosamente normal - não queria parecer aflita, ansiosa.
Usei a última chave e lá estava ele ao meu lado esquerdo.
Camiseta lilás. Bermuda jeans. Tênis. Não havia óculos! Diferente.
O cabelo agora harmonizada o rosto, que tinha tomado feições de homem.
Só um pensamento me acontecia: Como te quero!
E ele parecia corresponder.
Um abraço prometido, um beijo tímido e uma breve conversa. Eu já não queria fugir.
Mas, quando a distância entre nós se estreitou, minha boca fugiu.
Porém, no instante seguinte, não havia relutância, só entrega. Entregue.
Havia também um cheiro adolescente de camomila, sorrisos que permaneceram, magia. Muita magia!
Abraços e olhares diziam o mesmo:
- Agora é pra SEMPRE!
Letras, linhas e ritmos escritos em 01/02/2010.
sábado, 28 de dezembro de 2013
Embrião
Era março de 2004. Era o primeiro dia do curso preparatório para o vestibular. Ela estava apreensiva, pois nunca havia estudado em outra Escola que não a de sua cidadezinha. Ele trazia seu violino e algumas esperanças. A moça entrou e buscou uma carteira vaga. A aula já havia iniciado e a sala estava lotada, porém, conseguiu se acomodar. Não parecia estar muito confortável, visto o número excessivo de alunos e a pequenez dos espaços individuais, mas passou a aula inteira naquele local. O rapaz, que estava bem disposto desde o começo das lições, estreou um desconforto. A pessoa que havia se sentado atrás dele, insistiu em futucá-lo com o joelho durante a noite toda. Ao fim da aula, decidiu virar-se e perguntar o que havia com o ou a colega para perturbá-lo tanto. Quando dirigiu-se a carteira traseira, não conseguiu "tirar satisfações". Ele olhou com encanto, ela corou e sorriu, depois, cumprimentou, e ele não soube muito bem o que falar e lhe perguntou: Você gosta de violinistas? A menina não entendeu nada e riu. Naquela data, ele sonhou com o sorriso e ela desejou novamente aqueles olhos. Ou foi o inverso? Acho que mútuo.
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
SEM DICIONÁRIO DE RIMAS
Mãos de
colono
Dividem-se
em harmonias.
Cabelos ao ombro,
Em movimento, contagiam.
Avião oneroso
Em paradoxal fantasia
De ter casa no livro
E cama à esquerda vazia.
Irônico, jocoso:
Aquela página dizia.
Mas aquele velho-moço
Era somente o que eu via.
Coração generoso,
Ao envelhecer em sabedoria,
Divide conosco
Arte, música, poesia.
A brincar pelo palco,
A dobrar por esquinas...
Ao voltar para o baixo,
Mais um ciclo termina.
Ao "cara", Humberto Gessinger.
Assinar:
Postagens (Atom)
