sexta-feira, 10 de maio de 2019

A FORÇA DA VIDA (TERRA)

(Aos amigos Rosane e Antônio)

A vida nos impõe vida;
Faz crescer uma semente
Que nem lembrávamos 
Que havíamos lançado.

Sem nossos olhos perceberem

Ou as nossas mãos fazerem,
O broto se faz,
A vida se abre.

A Terra

Faz crescer,
Faz florir,
Faz frutificar.

E, chegado o tempo,

também se podará.
E poderá 
Mais. 

Fechará.

Talvez vá doer...
Se moverá.
Reabrirá.

Aí, sentirá uma força

expandindo seu peito. 
E reverberará isso.
Haverá de novo energia de vida, de produção.

Voltará a ser e a lançar sementes,

Continuará a acreditar
na sabedoria e na força da Terra.
Que assim sinta e siga.

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Casa Cheia

Nesta noite, antes do meu banho morno, eu entendi novamente nossa casa. Olhei cada cômodo, objeto, móvel e planta. Ressignifiquei cada parafuso que coloquei na parede, cada peça que pensei e reinventei, cada móvel improvisado ou escolhido. Admirei cada pedaço dela que traz a sua própria história, a história de outras pessoas que viveram aqui. Vi as marcas dos anos vividos - por eles, por nós e as marcas do próprio tempo. Amei cada recordação das nossas famílias: avô, avós, mães, pai, irmãos, sobrinhos... Todos morando aqui em detalhes. Vi como realoquei as plantas por conta da chuva e imaginei como o sol chegaria nelas às seis da manhã. Sorri. Um conforto morou no meu peito, esquentou meu coração. Casa é isso, né?

sábado, 2 de março de 2019

Hoje

Este é um dia que merece um canto.
Sua presença merece um trilhão de versos.
E ainda merecemos tantos toques,
Delicados, de repente, inundados.

Seu sorriso vem a cada dia
Me dizer da raridade da vida,
Me cuidar, me acordar,
Rezar um caminho lindo juntos.

sábado, 16 de fevereiro de 2019

Enfins

Quero estar onde ainda não moro, estar onde os sonhos estão, estar onde os pés anseiam em chegar, estar onde as folhas do outono estão no chão. Quero ver o sol, as flores e o sol passarem de novo e de novo, porque é tão bonito olhar no espelho e ver o quanto envelheço.
Bonito também é olhar meu corpo e ver tantas marcas: anos, tesouros, passagens, euforias, pessoas, notícias, rancores, surpresas, dúvidas, sempre incertezas com suas dores e moveres, imagens, sabores, principalmente cheiros, e toques - muitos toques, olhares, "Alices", suspiros, nuvens - iguais e diferentes, canetas e lápis, cadeiras e muros, conversas, roletas, calores, medos e enfins.

(Madrugada de 04 de fevereiro de 2011)

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Vazio

E quando uma história termina?
Mesmo dura, parecia que nos preenchia.
E agora? Como lidar com isso?
No meu peito, parece que algo falta.
Não sei qual placa me guiará.

É hora de sentir o nada?
Por que ansiar logo preencher?
Talvez precise deixar que uma ponta surja.
Assim, redesenhar os passos.
Não é tão racional e imediato.

Mas intermediário.
Meio.
Vazio.
Caminho livre.
Por enquanto, sem cruzamento, bifurcação ou saída.

sábado, 22 de dezembro de 2018

Minha primeira oração

Diga o que quer de (para) mim; eu não sei. Mas eu sinto que não é mais o mesmo. Sinto tudo tão novo como livro que se abre e as páginas ainda se grudam, e que guarda em cada página - sem marcas de dedos ou dobras - uma descoberta.
Eu me sinto, de novo e de novo, no lugar onde minhas mãos ainda eram pequenas; porém, sinto de forma diferente: não tenho mais (tanto) medo das ondas ou de não alcançar o fundo com os pés, não tenho vergonha de cantar ou dançar acompanhando a música, já sei que não posso tudo mesmo podendo muito, já sei que (que bom!) não sei de tudo.
Agora, estou a dançar e a cantar embaixo das ondas. Um pouco de pavor, outro de alegria, e um tanto de esperança me enchem.
Neste momento, peço: se já chega a hora de voltar a algum ponto da superfície, aponta a direção.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Tela

O céu me encanta.
De manhã, ele esquenta e se abre,
Pinta várias cores até se tornar azul.
No fim do dia, suas cores se mesclam.
Num minuto, está azul;
Noutro, amarelo;
Laranja;
Rosa;
Roxo.
O céu é uma transição linda.
Todo dia, ele se encerra,
Nos acolhe,
Nos recomeça.