terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Despedir-se

O caminho sempre é diverso. Alguns são quase infindáveis; outros, chegam logo ao seu fim. E, quando chega essa hora, quando chega a hora de partir, invade a nossa alma uma multidão de sentimentos, de vivências e de pensamentos. A alegria nos toma pelo braço e faz um sorriso se desenhar no canto da boca ao lembrarmos de risadas, abraços e imprevistos, e o olho chega a ser quase mar quando sabemos que não reviveremos o cotidiano que nos encheu de sentido. Daí, a contradição nos encontra e, por vezes, faz transbordar... Tudo nos é novamente, tudo se revira, refaz. E seguimos.

sábado, 10 de dezembro de 2016

Um

Meu primeiro lar sempre teve planta, chá e verdura fresquinha. Lá tinha abraço e comida caseira, tinha bichinho e tinha irmão pra brincar. Meu primeiro lar sempre foi integral, inteiro. Quente e confortável como coberta em noite chuvosa, permitiu que eu sentisse a importância da rede que nos une a tudo, seja animado ou inanimado, como tudo nos faz, e ajudamos a fazer tudo.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Das cinzas

Quando a vida se avermelha e arde, parece que vai nos incinerar. Vem fogo, a gente se torna carvão (imóvel, inerte, o fim).  Sem onde estar e o que fazer, voltamos ao solo. Tocamos o solo, estamos o solo. Ali, sem aparente energia, aprendemos que cinza é adubo. E, aí, o verde nos acontece de novo.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Ah!

Se arriscar
Em se fazer estar.
Que seja na nota Fá
Ou se doar a alguém lar.

Se arriscar
Ser e se transformar.
Selvagem como o mar
Ou na sua também calma.

Sem se riscar,
O simples escutar.
E, quando se apalpar,
Se sentir na ponta do guiar.

O que será
Que depois chegará?
Já esqueci de lembrar
De viver sempre agora.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Parto

A gente nasce, recebe, cresce, constrói-se, doa, faz crescer, constrói; algo nos chama a um novo nascimento, a gente transita, vai embora, e recomeça. Tudo importa. Tudo passa.  E, pra isso, há um tempo. Pro desejo, arquitetura e paciência.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Coirmão

Eu não acho que preciso ser como tantos;
você, tampouco.
Tenho a pele como guia,
e você a tem como estrela.

Já rimos e brincamos.
Hoje, cantamos as mesmas canções.
Entoamos melodias que
nos encontraram em momentos diferentes.

Notas nos fazem espelho.
Olhares que nos fazem laço.

Agora, abraço
e você consegue sorrir
genuinamente,
ingenuamente.

Então,
siga ainda mais próximo.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Mudança

Esperei você sorrir e assim chegou.
Chegou o dia em que a alegria a encontra e você consegue recebê-la.