sexta-feira, 1 de abril de 2016

muda

Minha euforia está guardada nos detalhes. Mesmo que pouco apareça, muito me ocorre. Pareço até boba e miúda, porém não conseguiria acordar todas as manhãs se não soubesse que encontraria, construiria e ajudaria a construir tantos sentidos. Vario entre desejar controlar variáveis e deixar que eu viva o que há de vir, porque sempre me encontro entre querer ser e ser, simplesmente ser. E, se questionam qual o motivo de eu não ser maior, por um instante esqueço a intensidade das minhas pequenezas, mas só um pouco antes de realçar o valor das inquietudes e transformações autênticas.

terça-feira, 8 de março de 2016

CULPADA

Não fique tão descabelada e relaxada.
Baleia!
Você, por ser menina, precisa ajudar a sua mãe.
Vai sair sem nenhum batonzinho?
Não seja fácil.
Que short curto!!!
Pensei que você tivesse afim de mim...
Ela ficou com poucos; então, vou namorar.
Você precisa aprender a cozinhar.
Hum... Já pode casar!
Não passe por ali.
Não ande sozinha.
Não more sozinha.
Se sorrir, ele vai achar que está dando mole.
Para a mulher, é feio não casar virgem.
Você precisa fazer as unhas toda a semana.
"Mulher que não dá voa".
"Vai, novinha".
Quem não depila parece uma macaca.
Você bebe?!!!
É ridículo ver uma mulher no barzinho bebendo.
Homem fumando é feio, mas mulher...
Também... Ela pediu!
A mulher deve ser dócil, paciente e entender os erros do marido.
É o sexo frágil.
Quero uma mulher para cuidar de mim.
Ela que não conseguiu mudá-lo.
Ele precisa casar... Ter alguém que cuide da casa, roupas e comida.

E, assim, a lista segue...

Mulher,
Como essas frases construíram suas crenças e condutas, sua vida, suas dores e adoecimentos?
Quantas podas foram destrutivas e não potencializadoras?
Quantas tarefas que você cumpre que não são suas ou não deveriam ser exclusivamente suas?
Quanto lhe ensinaram a buscar uma aparência física e moral impecável?
Quantos pecados foram seus sem você cometê-los?

Quantas vezes você se sentiu e sente culpada?

sexta-feira, 4 de março de 2016

PASSANDO

Estou em trânsito e espero sempre estar. E, nesse caminho, percebo que os meus pés já se calçaram de diversas formas. De início, desejaram luzes e cores. Depois, variavam entre o sacrifício da dor de parecerem adultos e a alegria de seguir todas as estrelas. E sempre estavam no ritmo da música e da dança. Pensaram que precisavam ser divertidos e foram. Visitando a universidade, decidiram ser livres, sem amarras e aproveitaram isso. Quando a vida foi mais exigente, tiveram a necessidade do confortável, prático e neutro. Agora, são apertados só quando desejam e gostam de se encontrar com o chão por mais vezes.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Menina,
Já fez sua parte. Você pode ir.
Apareça de vez em quando!

Algumas autodicas

- Admire as borboletas, mesmo quando ainda são lagartas.
- Alegre-se pelo casulo rompido.
- Quando chegar onde planejou, descobrirá o que deseja.
- Viva as mortes. Chore. Faça despedidas. Aceite e siga.
- Quando uma relação chegar ao fim do seu ciclo, dê adeus.
- Alguns amigos se tornarão (des)conhecidos, sem haver brigas ou despedidas. Aceite.
- Recomece. Mas também sossegue.
- Viva o estranhamento como descoberta e descubra sua própria estranheza.
- Conheça o diferente.
- Viaje, viaje e viaje! E, quando puder, de carro.
- Quando andar de ônibus, aproveite e viaje para dentro de si.
- Desfaça as malas e veja o que mudou.
- Mude crenças.
- Arrisque.
- Você não poderá mudar o mundo todo, mas seja instrumento da mudança dos mundos que lhe cabem.
- Não se culpe tanto quando não há como controlar a maioria das variáveis.
- Repense sua culpa.
- Não se desculpe quando não há culpa.
- Seja confidente de si. Esconda menos segredos o possível de você mesma.
- Acolha (ao outro e a si).
- Abrace.
- Durma em contato com quem você ama.
- Permita-se a um colo.
- Declare-se.
- Deixe seu felling agir.
- Chore assistindo filmes se assim despertarem.
- Reveja "PS.: Eu te amo". Nunca haverá açúcar suficiente, tampouco o sal das lágrimas.
- Leia o seu corpo: entenda a sinusite, a enxaqueca, o seu sistema digestório e sua pele.
- Leia os livros que te indicarem de forma particular.
- Dance!
- Vá a shows, cante e pule.
- Não se esqueça de ESCUTAR Engenheiros do Hawaii.
- Quando um verso te acompanhar, tente entender a canção.
- Escreva. Leia-se. Releia-se.
- Aproveite cores, melodias e letras, porque podem te curar.
- Reconheça a sua história.
- Conheça seus vizinhos.
- Entenda os seus medos (não tenha medo deles).
- Não tema o silêncio.
- Esteja atenta ao seu anseio por ocupar espaços em branco.
- Não tenha medo do barulho do mar.
- Não planeje um dia ou dias antes de ir à praia. Se estiver um sol lindão, vá.
- Mantenha a casa longe do mofo. Deixe o sol e o vento chegarem.
- Dê boas vindas às joaninhas.
- Não permita que as dificuldades contaminem seu olhar para as possibilidades.
- Às vezes, aceite. Outras, não aceite.
- Fale quando precisar falar e não esteja despida de argumentos.
- Seja assertiva.
- Abstraia. Mas também resista. Às vezes, a resistência é silêncio.
- Tente falar de maneira simples.
- Seja simples.
- Você não precisa viver em tendências, mas não é proibida de admirar e experimentar a estética da moda.
- Você não é obrigada a pintar suas unhas toda a semana. Quando fizer, faça você mesma e porque está afim. Aproveite e explore as cores.
- Perceba a atividade física pra além das repetições, padrões ou modismos.
- Não faça dietas para emagrecer. Coma o que gostar e o que te faz bem. Quanto mais integral melhor. Quanto menos processos também. Coma o chão, a natureza, o que você quer ser.
- Faça piqueniques.
- Viva em comunidade.
- Ouça as crianças.
- Quando falar com as crianças, abaixe. Lembre-se das tirinhas do Armandinho e do quanto desejou estar dentro delas e não na parte superior.
- Tome banho de mar e cachoeira sem medo da frieza da água ou de molhar os cabelos.
- Faça poucas, fundamentais e verdadeiras listas. Principalmente, faça a do supermercado (e não vá fazer compras com fome).
- Não use relógio de pulso durante o fim de semana.
- Quando estiver cansada, durma. Quando estiver com raiva, sonhe. E, quando acordar, recomece.
- Nem pense em trabalhar depois das 22h.
- Não trabalhe por dinheiro somente.
- Sobre dinheiro, saiba gastar. Nem tanto, nem tão pouco. Tenha reservas de valores e de desejos, mas não reserve tanto.
- Gaste mais dinheiro com o que você pode viver do que com que pode ter.
- Se não usa mais, não é mais seu. Doe.

domingo, 22 de novembro de 2015

(sem título)

Talvez eu tenha aprendido a permitir o silêncio. Diante do caos de estímulos, solicitações e sonhos, é difícil senti-lo. Mas parece que ele começa a fazer as pazes comigo; ou melhor, eu com ele. Consigo aceitá-lo nos entremeios, tê-lo como companheiro enquanto tenho uma tarefa e até consigo ampliá-lo quando preciso. Talvez eu tivesse medo dele ou da imperfeição que ele permite que ouçamos... Talvez não quisesse os vazios. Talvez quisesse viver certeza e preenchimento em tudo. Talvez houvesse ânsia por ocupar.

Que tolice!

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Cactos e Suculentas

Fragmentos e potências; tanto em tão pouco. Com discrição e força ensinam: Resistir é embelezar a vida.